Hoje é um dia especial. Hoje era aniversário da minha mãe. Ela adorava escrever e, coincidência ou não, o primeiro post desse blog estou escrevendo nessa data querida.
Como não pensar na minha mãe quando olho para a minha filha e me pergunto o que fazer?
Penso nela quando tenho dúvidas na cozinha, muitas aliás. Outro dia fui fazer feijão, um dos primeiros da minha vida e fiquei me perguntando como ela fazia o dela. Não sei.Só sei que era bom.
Nesse dia, cozinhando feijão, meu tempero foi de lágrimas.
Como não pensar na minha mãe, longe de casa, num país estranho, vendo coisas novas e querendo compartilhar? Penso nas piadas que a gente inventaria e riria juntas, sem ninguém entender.
Hoje é um dia especial. Ela faria 57 anos, faria bolo, faria doces. Adorava uma festa.
No dia a dia com a minha filha, me vejo muito na minha mãe que também morou longe, sem família, sem ajuda. Me pergunto o que ela pensava, quais eram suas dúvidas, como lidava com a solidão.
Nunca conversei sobre isso com ela. Não tinha filhos, era imatura, a vida ainda não tinha partido meu coração.
Hoje teria tanto para conversar, quantas coisas eu reclamava que ela fazia e hoje me vejo fazendo o mesmo. A vida é engraçada, cruel, maravilhosa, difícil. Como não pensar na minha mãe quando rio das gracinhas da minha filha? Nossa mãe conta a nossa história. Ela lembra das brincadeiras, das primeiras manhas, das roupinhas. Ela sabe se a gente teve pé chato, sarampo, piolho. O pai não lembra.
Nossa mãe lembra de bicho de pé, pereba, de cada cicatriz. O pai pergunta: foi vc que quebrou o braço ou seu irmão? Elas lembram que o pai te esqueceu no colégio no primeiro dia de aula e mesmo 20 anos depois ainda ficam com raiva dele.
As mães lembram da nossa história
. Elas lembram das férias, dos amiguinhos do colégio, da pneumonia que não a deixou dormir quando você era apenas um nenê.
E hoje eu sou uma dessas mães. Aprendendo aos poucos, tentando acertar, guardando no coração a história da minha filha que a minha mãe não conheceu.
Saudades.
Esse blog não é para contar a minha vida, nem tenho a pretensão de achar que tenho algo para ensinar ou coisas importantes para falar. É para compartilhar histórias de um grupo de mães e seus altos e baixos fora do país.

a vida é cruel mas é também maravilhosa. te deu a chance de viver tudo que dua mãe viveu com você, agora com uma pequena linda. sua mãe está la em cima sorrindo orgulhosa de vocêS! :*
ResponderExcluirQuerida Thaís, tudo bem? Você se lembra de mim? Acho que sim, né?! Estou aqui emocionada em saber que você é mamãe, que lindo! Parabéns, querida, certamente Glorinha estaria muito orgulhosa de você. Estava olhando os meus posts antigos, vendo comentários antigos dela e cheguei ao seu em um post antigo...
ResponderExcluirSe nós amigas sentimos demais a falat dela, fico imaginando vocês, espero que estejam todos bem! Parabéns pela família que está construindo.
Beijo, beijo!
She