quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Desafio da semana: meu primeiro estrogonofe

A gente pode até tentar, mas tem coisas que nascemos para fazer e coisas que, definitivamente, não nascemos para fazer. Cozinhar está no topo da minha lista do que não fazer!
Eu me esforço, afinal eu sou uma mulher ou um rato?
Meu marido estava a base de omelete há dias e resolvi fazer um belo estrogonofe. Me dei conta de além de cozinhar teria que limpar o frango.
O frango aqui é bom, macio e o que compramos vem praticamente limpo. Mas olhando bem tem umas pelancas que não merecem estar no estrôgo. Vamos lá! Hum, como tira isso? Será que se puxar aqui...não, não... E se cortar com a faca? Ihhhh, cortei muito!
E assim fui, praticamente destrinchando um peito sem osso. Mas consegui!!! Não sou um rato!
Corta o frango. É assim mesmo? Fica molenga assim? Ih, ficou uma pelanca... Frango pelancudo de me...
A essa altura já estava me perguntando pq tinha inventado de fazer estrogonofe. Meu marido estava feliz com as omeletes dele.
Joguei o pelancudo na panela e depois de um tempo não é que ficou bonito, aqueles cubinhos... Fui eu que fiz! Mas ainda faltavam TODOS os outros ingredientes. Não vai dar tempo, Alice vai acordar.
Comecei a suar, aquele suor de nervoso que dá no subaco, sabe? Respirei e fui em frente.
Ai, não abri o champignon. Esse abridor é brabo. uma engenhoca de americano. Você prende e vai rodando uma manivela e ele vai cortando. No Brasil é aquele manual mesmo e tá ótimo, já estava acostumada, rapidinho você abre, pá pum!
Ih, não abriu um lado. Abridor de mer... Vou forçar aqui que o frango tá quase queimando!
SPLASH!
Banho de água de champignon. Que marrrravilha! É batizado?
Nesse exato momento minha vontade era sair correndo pela porta e nunca mais voltar! Não podia, meu marido estava chegando, minha filha dormindo, ia acordar e ter que dar mamadeira, trocar fralda. Não era uma opção. Tive que encarar o estrogonofe mesmo.
Fui na garra e na coragem até que consegui. ÊÊÊ!!! Consegui vencer meu desafio!!!
O telefone tocou, Alice acordou, hum, espero que esteja bom. Meu marido vai ficar orgulhoso de mim.
-Alô?
-Oi, amor, não vou almoçar hoje,não.

SALDO DO DIA: high (porque consegui fazer o estrogonofe!) e low (porque só eu comi!)

Como não pensar na minha mãe?

Hoje é um dia especial. Hoje era aniversário da minha mãe. Ela adorava escrever e, coincidência ou não, o primeiro post desse blog estou escrevendo nessa data querida.

Como não pensar na minha mãe quando olho para a minha filha e me pergunto o que fazer?
Penso nela quando tenho dúvidas na cozinha, muitas aliás. Outro dia fui fazer feijão, um dos primeiros da minha vida e fiquei me perguntando como ela fazia o dela. Não sei.Só sei que era bom.
Nesse dia, cozinhando feijão, meu tempero foi de lágrimas.
Como não pensar na minha mãe, longe de casa, num país estranho, vendo coisas novas e querendo compartilhar? Penso nas piadas que a gente inventaria e riria juntas, sem ninguém entender.

Hoje é um dia especial. Ela faria 57 anos, faria bolo, faria doces. Adorava uma festa.
No dia a dia com a minha filha, me vejo muito na minha mãe que também morou longe, sem família, sem ajuda. Me pergunto o que ela pensava, quais eram suas dúvidas, como lidava com a solidão.
Nunca conversei sobre isso com ela. Não tinha filhos, era imatura, a vida ainda não tinha partido meu coração.

Hoje teria tanto para conversar, quantas coisas eu reclamava que ela fazia e hoje me vejo fazendo o mesmo. A vida é engraçada, cruel, maravilhosa, difícil. Como não pensar na minha mãe quando rio das gracinhas da minha filha? Nossa mãe conta a nossa história. Ela lembra das brincadeiras, das primeiras manhas, das roupinhas. Ela sabe se a gente teve pé chato, sarampo, piolho. O pai não lembra.

Nossa mãe lembra de bicho de pé, pereba, de cada cicatriz. O pai pergunta: foi vc que quebrou o braço ou seu irmão? Elas lembram que o pai te esqueceu no colégio no primeiro dia de aula e mesmo 20 anos depois ainda ficam com raiva dele.
As mães lembram da nossa história
. Elas lembram das férias, dos amiguinhos do colégio, da pneumonia que não a deixou dormir quando você era apenas um nenê.
E hoje eu sou uma dessas mães. Aprendendo aos poucos, tentando acertar, guardando no coração a história da minha filha que a minha mãe não conheceu.

Saudades.

Esse blog não é para contar a minha vida, nem tenho a pretensão de achar que tenho algo para ensinar ou coisas importantes para falar. É para compartilhar histórias de um grupo de mães e seus altos e baixos fora do país.