sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Carta a uma nova mãe

Uma amiga engravidou e mandou um email pedindo ajuda. Ela estava super feliz mas louca com a lista do enxoval que tinham dado pra ela. Eram várias listas que formavam uma. Eu também fiquei perdida porque não fiz lista nenhuma na minha vez.
Meu conselho foi: quanto mais simples melhor. Um bebê não precisa de uma cadeira com móbile que massageia, balança e toca música ao mesmo tempo. Nem de mil coisas inúteis que você mal vai usar.
A gente fica perdidinha mesmo.
Uma coisa muito importante foi a ajuda da enfermeira na maternidade. Eu nunca tinha trocado uma fralda, meu marido muito menos. Ok, teve uma vez que ajudei uma amiga a tirar a bebê dela do banho enquanto ela terminava com a filha mais velha. Ela chorava tanto que comecei a suar frio de nervoso e minha amiga assim: é assim mesmo, fica tranquila...
-Tranquila????Tô suando aqui! Tô com pizza no suvaco! Parece que eu estou fazendo maldade, mas eu só quero colocar a fralda!
 Bom, acho que essa vez não conta.

Voltando à maternidade, eu sabia que só teria 2 dias com aquela enfermeira ali, então quando Alice começou a chorar de noite, fui chamá-la e ela ensinou a gente a limpá-la direitinho, ensinou a enrolar com a manta quando ela chorava. A enfermeira explicou que ela estava apertadinha na barriga, aconchegada e agora, aqui fora, não sabia o que fazer com aqueles braços se balançando, sem controle motor. Por isso você pega a mantinha e enrola o nenê igual a um sushi. E ele se acalma e dorme.
Santa ajuda! Já tinha lido essa história dos bracinhos balançando em algum lugar mas eram tantas emoções naquele momento que esqueci. Mas nunca vou esquecer uma frase que ela me falou: bebê é vigilância.
Esses conselhos são ótimos, principalmente vindos de uma pessoa experiente, que faz aquilo mil vezes por dia. Pergunte tudo para sua enfermeira.
Outra coisa que uma nova mãe vai vivenciar são os trocentos conselhos de trocentas pessoas (tipo eu!). Ouça, filtre e faça do jeito que você e seu marido acharem que é o certo. As pessoas adoram meter o bedelho e falar do seu leite, do seu peito, do seu jeito... Tá chorando de fome(sendo que você acabou de amamentar), de cólica, refluxo...
Respira.
Você é a mãe.

Por isso, uma das coisas que fizemos no início foi ficarmos bem quietinhos em casa, sem muitas visitas e agito. Queríamos conhecer aquele serzinho, entender seu jeitinho para conseguirmos fazer nosso melhor por ela com confiança.
Boa sorte, você vai se sair bem!

P.S. filtre os meus conselhos também! hehe





segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Feriado, um dia como outro qualquer...

Ah!!! Feriado!!! A gente pode dormir até mais tarde, descansar, passear.
A gente quem, minha filha? Você é mãe? Então sabe que isso não se aplica a você, queridona...
Quem é mãe e não trabalha fora (só dentro!) sabe que feriado pode significar trabalho em dobro ou só mais um dia, como outro qualquer.
No último feriado meu marido estava doente. Acordei na mesma hora de sempre, fiz a mamadeira da minha filha como sempre e tomei meu café por etapas como sempre. Meu café da manhã é sempre por etapas porque parece que ela pressente que o meu leite está saindo quentinho para fazer um totô. Aí lá vou eu trocar a fralda, como sempre, e esquentar meu leite de novo depois. Como sempre.
Como era quarta-feira, dia de lavar roupa, fiz o que? Lavei roupa.
Deixei meu marido dormindo, afinal ele estava gripado e trabalha a semana toda. Eu não. (Oi?)
Tirei a roupa da máquina, pendurei e me dei conta que às 10:00 da manhã ainda estava de pijama porque não queria entrar no quarto e acordá-lo.
Brinquei com meu nenê e já era hora do almoço dela e soneca.
Ahhhh, agora sim! Posso fazer as "minhas" coisas! Arrumei a cozinha, passei um aspiradorzinho só pra não perder o hábito, arrumei os brinquedos espalhados pela sala. Brinquedos esses que seriam espalhados de novo quando ela acordasse. (Oi??)
As 11:30 já estava um trapo e com fome de novo, louca pra chegar a hora do meu almoço!
Como todo dia, fiz as minhas coisas no resto do tempo da soneca dela. Tomei meu banho, troquei de roupa, li um jornalzinho e almocei.

Meu marido já tinha acordado, tomado o banho dele COM CALMA e o café sem etapas.
Perguntei, com o um humor quase assassino: vamos passear de tarde?
E ele com o humor cansado: Passear onde?
Eu, já com a faca na mão: qualquer lugar.
Ele (devia estar pensando: melhor agradar): tá bom.

Fomos passear pela cidade. Mas o que fazer em um lugar que não tem nada pra fazer? Achamos um parque e foi o que salvou o dia. Um parque com 2 brinquedos mas tudo bem.
Voltamos para casa e começou a função janta-banho-cama. Como sempre.
Ahhhh! Feriado!Quem disse que ser mãe era fácil? Disseram que era padecer no paraíso, que era ter um coração enorme que sempre cabe mais um, que era chorar de alegria... É isso tudo sim. Mas é também aprender a se acostumar com a rotina e até gostar dela porque assim você pode se organizar e tornar seu dia menos estressante. E eu digo uma coisa: uma mãe organizada vale por mil pais. Nunca achei que eu fosse ser tão cri-cri com horários e rotinas mas isso tem me ajudado muito. Graças a Deus, meu marido me ajuda bastante e também gosta de uma rotina estruturada. Nada de criança acordada até tarde (ela dorme às 19:00) assim temos um tempo pra gente.
Sendo assim, nossa filha dormiu no mesmo horário de sempre e a gente pôde aproveitar o fim do feriado tomando um vinhozinho, porque ninguém é de ferro, né?

SALDO DO DIA: high

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Desafio da semana: meu primeiro estrogonofe

A gente pode até tentar, mas tem coisas que nascemos para fazer e coisas que, definitivamente, não nascemos para fazer. Cozinhar está no topo da minha lista do que não fazer!
Eu me esforço, afinal eu sou uma mulher ou um rato?
Meu marido estava a base de omelete há dias e resolvi fazer um belo estrogonofe. Me dei conta de além de cozinhar teria que limpar o frango.
O frango aqui é bom, macio e o que compramos vem praticamente limpo. Mas olhando bem tem umas pelancas que não merecem estar no estrôgo. Vamos lá! Hum, como tira isso? Será que se puxar aqui...não, não... E se cortar com a faca? Ihhhh, cortei muito!
E assim fui, praticamente destrinchando um peito sem osso. Mas consegui!!! Não sou um rato!
Corta o frango. É assim mesmo? Fica molenga assim? Ih, ficou uma pelanca... Frango pelancudo de me...
A essa altura já estava me perguntando pq tinha inventado de fazer estrogonofe. Meu marido estava feliz com as omeletes dele.
Joguei o pelancudo na panela e depois de um tempo não é que ficou bonito, aqueles cubinhos... Fui eu que fiz! Mas ainda faltavam TODOS os outros ingredientes. Não vai dar tempo, Alice vai acordar.
Comecei a suar, aquele suor de nervoso que dá no subaco, sabe? Respirei e fui em frente.
Ai, não abri o champignon. Esse abridor é brabo. uma engenhoca de americano. Você prende e vai rodando uma manivela e ele vai cortando. No Brasil é aquele manual mesmo e tá ótimo, já estava acostumada, rapidinho você abre, pá pum!
Ih, não abriu um lado. Abridor de mer... Vou forçar aqui que o frango tá quase queimando!
SPLASH!
Banho de água de champignon. Que marrrravilha! É batizado?
Nesse exato momento minha vontade era sair correndo pela porta e nunca mais voltar! Não podia, meu marido estava chegando, minha filha dormindo, ia acordar e ter que dar mamadeira, trocar fralda. Não era uma opção. Tive que encarar o estrogonofe mesmo.
Fui na garra e na coragem até que consegui. ÊÊÊ!!! Consegui vencer meu desafio!!!
O telefone tocou, Alice acordou, hum, espero que esteja bom. Meu marido vai ficar orgulhoso de mim.
-Alô?
-Oi, amor, não vou almoçar hoje,não.

SALDO DO DIA: high (porque consegui fazer o estrogonofe!) e low (porque só eu comi!)

Como não pensar na minha mãe?

Hoje é um dia especial. Hoje era aniversário da minha mãe. Ela adorava escrever e, coincidência ou não, o primeiro post desse blog estou escrevendo nessa data querida.

Como não pensar na minha mãe quando olho para a minha filha e me pergunto o que fazer?
Penso nela quando tenho dúvidas na cozinha, muitas aliás. Outro dia fui fazer feijão, um dos primeiros da minha vida e fiquei me perguntando como ela fazia o dela. Não sei.Só sei que era bom.
Nesse dia, cozinhando feijão, meu tempero foi de lágrimas.
Como não pensar na minha mãe, longe de casa, num país estranho, vendo coisas novas e querendo compartilhar? Penso nas piadas que a gente inventaria e riria juntas, sem ninguém entender.

Hoje é um dia especial. Ela faria 57 anos, faria bolo, faria doces. Adorava uma festa.
No dia a dia com a minha filha, me vejo muito na minha mãe que também morou longe, sem família, sem ajuda. Me pergunto o que ela pensava, quais eram suas dúvidas, como lidava com a solidão.
Nunca conversei sobre isso com ela. Não tinha filhos, era imatura, a vida ainda não tinha partido meu coração.

Hoje teria tanto para conversar, quantas coisas eu reclamava que ela fazia e hoje me vejo fazendo o mesmo. A vida é engraçada, cruel, maravilhosa, difícil. Como não pensar na minha mãe quando rio das gracinhas da minha filha? Nossa mãe conta a nossa história. Ela lembra das brincadeiras, das primeiras manhas, das roupinhas. Ela sabe se a gente teve pé chato, sarampo, piolho. O pai não lembra.

Nossa mãe lembra de bicho de pé, pereba, de cada cicatriz. O pai pergunta: foi vc que quebrou o braço ou seu irmão? Elas lembram que o pai te esqueceu no colégio no primeiro dia de aula e mesmo 20 anos depois ainda ficam com raiva dele.
As mães lembram da nossa história
. Elas lembram das férias, dos amiguinhos do colégio, da pneumonia que não a deixou dormir quando você era apenas um nenê.
E hoje eu sou uma dessas mães. Aprendendo aos poucos, tentando acertar, guardando no coração a história da minha filha que a minha mãe não conheceu.

Saudades.

Esse blog não é para contar a minha vida, nem tenho a pretensão de achar que tenho algo para ensinar ou coisas importantes para falar. É para compartilhar histórias de um grupo de mães e seus altos e baixos fora do país.